Colunistas|07.out

A Suprema Arte da Guerra

Caros leitores, como todos sabemos, o mês de outubro sobre a denominação de “Outubro Rosa” é dedicado a sensibilização de mulheres e da sociedade em geral sobre a necessidade de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama e de colo uterino. Neste sentido, não poderíamos aqui deixar de contribuir para a disseminação de informação sobre o câncer, este inimigo tão impiedoso.

Compreendido como um conjunto de doenças de origem multifatorial, o câncer em geral está associado a mutações genéticas ou alterações no DNA das células, que passam a se multiplicar de forma desordenada, desrespeitando as regras de convivência biológica, formando pelotões de células subversivas, genericamente chamadas de tumores, que desobedecendo seu comandante, invadem tecidos e órgãos e, em alguns casos, tornam-se tão agressivas ao ponto de invadir outras regiões do corpo num processo denominado metástase.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), O câncer de mama é o segundo tipo que mais acomete brasileiras, representando em torno de 25% de todos os cânceres que afetam o sexo feminino, sendo um inimigo poderoso a ser ainda derrotado. Para o Brasil, foram estimados 59.700 casos novos de câncer de mama em 2019, com risco estimado de 56 casos a cada 100 mil mulheres.

Ainda, segundo este órgão, fatores hereditários são responsáveis apenas por 5 a 10% dos casos de câncer, ficando, os demais 80 a 90% relacionados a fatores externos como mudanças provocadas no ambiente, e, principalmente, hábito e estilo de vida. Em especial no câncer de mama o envelhecimento, vida reprodutiva da mulher (menarca, menopausa, amamentação, número de filhos), histórico familiar, consumo de álcool, excesso de peso, atividade física insuficiente e exposição à radiação ionizante podem ser fatores de risco.

Portanto prezadas leitoras, partindo-se do princípio que estatisticamente a inexorável loteria hereditária corresponde a menos de 10% das possíveis causas de câncer de mama, há sim muito o que podemos fazer para reduzir as estatísticas nada promissoras. Comecemos por adotar uma alimentação saudável, praticar atividades físicas, amamentar, realizar o autoexame já a partir da primeira menstruação e, não esquecer de fazer o exame da mamografia após os 40 anos anualmente.

Lembre-se: da mesma forma que as legiões de células tumorais multiplicam-se desenfreadamente, as possibilidades de cura também se multiplicam a partir de um diagnóstico precoce. Estrategicamente, é preciso surpreender o inimigo sem dar chances a este de reação.

Afinal, como diria o famoso general e filósofo chinês Sun Tzu (544-496 a. C.): “a suprema arte da guerra está em derrotar o inimigo sem lutar”.


por Cristiane Pawlowski Kuster

Guitarrista da 350ml, mestre em Letras.