Cotidiano|05.mar

Drª. Edni de Andrade Arruda será homenageada na III Conferência Nacional da Mulher Advogada

por Jota Terres

Através dos seus mais de duzentos anos de história, Guarapuava (PR) já acumula tantos personagens fabulosos, intrigantes e autênticos que, sem dúvida não seria possível descrevê-los em poucas páginas, tão pouco em um ou dois compêndios. Para registrar a vida e obra de tais indivíduos, talvez fosse necessária uma ala inteira nas bibliotecas municipais espalhadas pela cidade. Alguns poucos não nasceram na propriamente dita terra do Lobo bravo, mas, mesmo assim são filhos e filhas deste torrão histórico ao Sul do Brasil e ao centro do Estado. Umas delas é Edni de Andrade Arruda.

 

Adolescência

 Edni nasceu em Reserva (PR), cidade de sua mãe, a Srª Leoni de Andrade Arruda. Filha do renomado advogado Edgard Virmond Arruda, ela soube ainda na tenra idade qual era a sua vocação. Com os passar dos anos e mesmo com as inúmeras tentativas do pai de dissuadi-la a seguir na carreira, Edni não titubeou. Estudante de escola pública, na adolescência seguiu para o internato no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, mas conhecido como Colégio do Cajuru em Curitiba (PR).

 

Em 1965, ingressa na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a mesma que seu pai outrora ingressou. Os exames eram difíceis e as provas comprovavam o peso da instituição de renome nacional. Na faculdade, Edni teve o privilégio de ter como professores grandes profissionais, referências na área em todo Brasil. Se formou em 1969, sendo ela uma das quinze mulheres de uma turma de oitenta universitários que concluíram o curso de Direito da UFPR.

 

Trajetória

Mesmo recebendo propostas profissionais que para muitos colegas seriam tentadoras, Edni retornou para Guarapuava para trabalhar junto ao escritório do seu pai. A faculdade apresentou a teoria, os estudos e a metodologia do Direito, mas, foi através dos anos de profissão que ela potencializou seus conhecimentos adquiridos em sala.

 

Desde a quinta-feira de 13 de fevereiro de 1969, Edni recebe nas costas o peso de representar perante a justiça o outrem. A partir desta data ela está inscrita na Ordem dos Advogados do Paraná sob o número 3.941 e, desde então, escreve sua história no Direito em âmbito regional e nacional. Edni foi a primeira advogada de Guarapuava e, entre 2001 e 2006, foi também a primeira e única presidente da Subseção.

 

Em seus 51 anos como profissional do Direito, Edni já acumula tantas honrarias, condecorações e prêmios em sua estante que é notório seu trabalho contínuo e árduo lutando pela equidade de gênero. Entre todos, se destaca os louros como a primeira advogada do Paraná a fazer parte do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, reconhecimento em Área Humanística (2004), do Conselho da Mulher Executiva da ACIG, Direitos Humanos (2006), concedido pelo Clube Soroptimista de Guarapuava, Mulher Cidadã (2007), iniciativa da Câmara Municipal de Guarapuava e Personalidades do Ano (2007), realizado pelo Rotary Clube.

 

A advogada é também membro benemérito da Academia Guarapuavana de Letras, Artes e Ciências (ALAC) e, em 2011, seu pioneirismo e sua paixão pelo município foram reconhecidos com o Título de Cidadã Honorária de Guarapuava. Mas o inédito e inesperado agraciamento veio em agosto de 2017. Na VI Conferência Estadual da Advocacia ela recebeu a mais importante honraria concedida pela OAB Paraná, a Medalha Vieira Netto. Sob os aplausos e saudações dos próximos, a filha de Guarapuava entrou no seleto rol de outros seis juristas e se tornou a primeira mulher a receber tal homenagem.

 

Em seu discurso da premiação, Edni destacou um dos pontos que ela mais defende, a igualdade entre mulheres e homens e a força da sororidade. “O feminismo que defendo é as vezes o reverso do que vejo. Sempre recusei estereótipos que a pretexto de exaltar a mulher, atribuindo-lhe virtudes quase sobre-humanas. Servem para infantilizá-la, confinando-a no gueto da mediocridade”, destacou Edni.

 

Comemorar mais de cinco décadas de formatura é um momento especial para qualquer profissional. Mas enaltecer esse momento em março, mês do Dia Internacional da Mulher (8), é ainda mais relevante para alguém cuja trajetória se define, entre outros aspectos, pela salvaguarda dos direitos humanos e das mulheres.

 

Igualdade, Liberdade e Sororidade

Reconhecimento este que os advogados e advogados do Paraná levam na atuação diária e no compromisso com a verdade e democracia. Entre hoje (5) e amanhã (6), dias da III Conferência Nacional da Mulher Advogada, a delegação paranaense da OAB estará em Fortaleza (CE) utilizará o nome da Drª Edni de Andrade Arruda como o nome da caravana.

 

O presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas de feminicídio na abertura oficial da conferência. Santa Cruz fez referência direta a um caso ocorrido na última madrugada em Curitiba, com o assassinato a tiros da escrivã da Polícia Civil Maritza Guimarães de Souza, 41 anos, e de sua filha, Ana Carolina de Souza, de 16 anos.

 

 

O suspeito do crime é o marido de Maritza, delegado Erik Busetti. Também foram lembrados no ato memória das vítimas os assassinatos das advogadas paranaenses Tatiane Spitzner, em julho de 2018, e Angelina Silva Guerreiro Rodrigues, em abril de 2019.

 

Cerca de 2,6 mil advogadas e advogados, de todos os estados do país, participam da conferência, que tem como tema central “Igualdade, Liberdade e Sororidade”. Ao longo dos próximos dois dias, serão realizados dezenas de painéis, palestras, workshops e atividades, no Centro de Eventos de Fortaleza, para debater e discutir as questões referentes às mulheres na advocacia e na sociedade.

 

Com informações da assessoria de imprensa da OAB Paraná.

Imagens: Arquivo pessoal e OAB Paraná.


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por Jota Terres