Colunistas|16.set

Henry Gasparotto Pedroso – Bioresiliência

Nesta semana, vamos dedicar nossa coluna a uma variedade de plantas que faz um enorme sucesso entre os petts, devido a sua beleza, praticidade de manejo, resistência e variedade de espécies: as suculentas, com destaque para as famílias das Aizoáceas, Cactáceas e Crasuláceas, com mais de mil representantes catalogadas cada uma.

Originárias de regiões desérticas da África e América, o termo “suculenta” deriva do fato de essas plantas possuírem um potencial maior que outros vegetais em absorver e armazenar água em estruturas como folhas, caules, troncos e raízes, uma adaptação evolutiva que lhes permite sobreviver em ambientes áridos e secos.

Justamente sobre os aspectos evolutivos destes vegetais é que nos deteremos, a fim de justificar ao leitor sobre a necessidade de tomar alguns cuidados no manejo, a fim de que seus exemplares se desenvolvam com todo vigor.

Como seu habitat natural são ecossistemas áridos, suculentas possuem adaptações vantajosas para a captação de água em ambientes com escassa disponibilidade deste recurso, podendo-se citar: presença de penugem (pubescência) que recobre sua superfície, retendo o orvalho da manhã; limitação do número de ramificações e comprimento de órgãos, além do desenvolvimento de camadas de cera na superfície de folhas e talos, com a finalidade de reduzir o processo de desidratação. Destaca-se ainda, que a evolução permitiu que folhas de cactos fossem transformadas em espinhos com dupla finalidade: reter água e defender a planta de possíveis agressões.

Portanto caro leitor, agora que você conhece variações morfológicas destas tão simpáticas plantas para retenção de água, vale a seguinte dica: muitas regas encharcam o substrato e apodrecem a raiz. Uma sugestão seria acrescentar um pouco de areia ao substrato para favorecer a drenagem e regá-las a cada 10 dias no verão e 20 dias no inverno, respeitado as características de cada espécie.

Outro aspecto adaptativo interessante das suculentas de deserto ou provenientes de habitats sujeitos a secas periódicas, é o processo fotossintético de obtenção de açúcares (carboidratos), que servem de reserva energética para seus processos vitais. Estas plantas apresentam o chamado metabolismo ácido crassuláceo ou metabolismo CAM.

Estrategicamente, estas plantas diferentemente daquelas que não se adaptam a ambientes com alta incidência de luz solar, diminuem suas trocas gasosas com o ambiente durante o dia, procurando aumentar absorção de gás carbônico durante à noite, convertendo-o em ácido málico. Este, por sua vez, será metabolizado, durante o dia, na presença de luminosidade, em carboidratos, fornecendo então o suprimento energético destas plantas.

Neste sentido, lembre-se que suculentas necessitam de pelo menos quatro horas diárias de exposição luminosa, devendo ficar, por exemplo, próximas às janelas diariamente, mas sem exageros ou exposição direta e prolongada, respeitados também, as peculiaridades de cada espécie.

Certamente o que torna essas plantinhas tão populares entre seus admiradores, são os fatores anatômicos/fisiológicos que lhes trazem uma delicadeza e beleza encantadoras, além da praticidade no seu cuidado, não exigindo tanta dedicação. Mas como professor de Biologia, comento com meus alunos que estas maravilhas da natureza também nos proporcionam uma singela mensagem de vida: é preciso transformar as adversidades da vida em oportunidades de explorar nossos potenciais conquistando assim, nosso lugar ao Sol.


por Cristiane Pawlowski Kuster

Guitarrista da 350ml, mestre em Letras.