Colunistas|11.jun

Burnout, a doença do trabalho.

De difícil detecção e conhecimento por parte da população em geral o Burnout ou Síndrome da Estafa Profissional está presente em nosso dia-a-dia.

A síndrome tende a afetar principalmente as pessoas que são mais motivadas e dedicadas às suas atividades de trabalho sendo que os grupos mais afetados estão ligados à saúde, educação e segurança pública.

O início da questão se dá baseado em uma dedicação acentuada, que subtrai parcelas de tempo necessários à manter o equilíbrio de vida. Devido ao empenho e motivação não se percebe a possibilidade que vai se formando com relação ao desenvolvimento do problema que está por vir. Como este dano tende a se instalar de modo progressivo, lento e compassado, se torna ainda mais difícil a tarefa de reagir antes que o custo tenha se tornado muito elevado.

Esse indivíduo, até então motivado, começa por ter pequenos e ainda bastante discretos desconfortos como: uma eventual dor de cabeça, um certo desconforto muscular ou alguma pequena sensação de aborrecimento ligado ao trabalho, colegas ou clientes.

Num outro momento isso evolui para que essas características estejam um pouco mais acentuadas e frequentes, bem como a sensação que os colegas não cooperam, parece que estão te sabotando ou sendo negligentes e coisas nesse sentido. Nesse ponto ainda não parece ter havido queda de produtividade ou mesmo faltas ao trabalho.

Seguindo a evolução do Burnout iniciando por aumento de problemas clínicos, onde faltas se fazem necessárias para consultas ou exames, ou mesmo pra se recuperar em casa. Aí também começam as indisposições à se transformarem em atritos no ambiente profissional, já pode haver perda de produtividade e queda na motivação, o que torna tudo muito mais penoso por quem costuma ser autoexigente e dedicado.

A sequência do problema já mostra dificuldades clínicas significativas (físicas e psicológicas), podendo levar a afastamentos mais moderados para recuperação e tratamentos.
E por fim, o ápice do transtorno leva a dificuldade extrema com o desempenhar profissional, levando à afastamento prolongado, sintomas de ansiedade e depressão severos, possibilidades aumentadas para abuso de álcool ou outras drogas e ideação e risco de suicídio.

Recentemente estamos nos deparando com um novo evento que é o Coronavírus Burnout, que já afeta um grande contingente de profissionais de saúde, levados ao seu extremo por conta da pandemia e, ao que tudo indica, ainda é apenas o começo do problema, podendo levar a uma pandemia de faltas e doenças decorrentes do exercício profissional.

“Estou cansada. Meu cansaço vem muito porque sou pessoa extremamente ocupada: tomo conta do mundo.”

(in: Água Viva)

Clarice Lispector


por Silvio Ortiz