Colunista|22.jan

Colapso Ecológico

Uma dica interessante para quem aprecia uma boa leitura e gosta de se manter atualizado sobre os desafios do mundo contemporâneo é a obra “21 lições para o século 21”, do historiador israelita Yuval Noah Harari, autor também de “Sapiens” e “Homo Deus”.

Em “21 lições para o século 21”, o autor apresenta sua visão a respeito de assuntos instigantes e controversos como, por exemplo, a importância de se manter o equilíbrio mental diante dos desafios modernos, o impacto das fake news na sociedade, terrorismo, além dos eminentes desastres ambientais e disrupções tecnológicas.

Como professor de Biologia prendeu-me a atenção, a preocupação do autor com relação ao factual colapso ambiental que nosso planeta caminha a passos largos, devido em parte a atividade humana e ao estilo de vida moderno marcado pelo extrativismo comercial e industrial, e na consequente geração de produtos de descarte.

Ainda, na óptica de Harari, a atividade humana tem colaborado para rompermos o delicado equilíbrio ecológico de nossa biosfera uma vez que “estamos extraindo cada vez mais recursos do ambiente e despejando quantidades enormes de lixo e veneno, mudando assim a composição do solo, da água e da atmosfera”.

Neste sentido, considerando que a comunidade cientifica vem alertando para o fato de que, se as instituições e os governos não adorarem políticas ambientais consistentes para evitar as mudanças climáticas como, por exemplo, o aquecimento global, movido em grande parte pela emissão de gases como dióxido de carbono, metano, oxido nitroso e vapor de água, em um futuro muito próximo, vislumbraremos um cenário onde a extinção de animais e plantas, a desestabilização de ecossistemas, a expansão de desertos, o derretimento de calotas de gelo com consequente elevação de oceanos e maior ocorrência de eventos climáticos, como furacões, tornados, inundações e secas serão a tônica.

Sem dúvida, as consequências serão funestas: desmantelamento da produção agrícola, inundação de cidades, movimentos migratórios de animais inclusive os seres humanos, escassez de alimentos e água, maior ocorrência de doenças, desnutrição e mortes. Sem dúvida nenhuma, um campo fértil para a guerra, também um dos temas abordados na obra do professor.

Acredite você ou não neste cenário, quero crer que pense como nosso historiador: não podemos relegar somente a instituições privadas ou governamentais o compromisso em manter nosso planeta física e naturalmente estável. Podemos sim agir localmente revendo nossas atitudes de forma a mitigar esse triste porvir.

Algumas dicas de como agir localmente seria a redução do consumo de carne bovina (o gado, em seu processo de digestão, gera o gás metano, que causa o efeito estufa em uma proporção 21 vezes maior do que o gás carbônico, contribuindo fortemente para o aumento da temperatura média do planeta, sem citar as grandes áreas de desmatamento associados a pecuária de corte), evitar o uso de canudos e copos descartáveis, criar uma meta semanal de não uso de veículos automotivos, substituindo-os por transporte coletivo, bikes ou mesmo caminhadas.  Não desperdiçar alimentos, desligar a luz ao deixar ambientes, reduzir o volume de lixo produzido, não esquecendo de controlar os hábitos de consumo também são medidas relevantes.

Nas palavras do professor Harari, não basta reconhecer o perigo, é necessário fazer algo agora!

 

Um abraço a todos e boa semana.


por Cristiane Pawlowski Kuster

Guitarrista da 350ml, mestre em Letras.

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