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Dismetria de Membros Inferiores

Tecnicamente conhecida com Anisomelia, a dismetria de membros inferiores consiste na discrepância entre um membro inferior e outro, geralmente não tendo repercussões significativas abaixo de 2cm. Entre suas causas podemos dividir entre congênitas (como Hemimelia Fibular, Tibial e Deficiências Femorais), neuromusculares (como Paralisia infantil e Cerebral), sequelas de infecção e traumáticas, doenças inflamatórias, tumores e outras patologias no quadril (como Legg Perthes, Epifisiólise e Displasia do Desenvolvimento do Quadril).

O diagnóstico pode ser feito mediante o exame físico e confirmado por exames de imagem, em especial a escanometria. Vale ressaltar que na criança devemos considerar a idade óssea para nortear o tratamento, fazendo cálculos para previsão da estatura final de cada membro. Para tal existem diversos métodos, como o matemático, utilizando a média de crescimento em centímetros de cada segmento ósseo da população, a utilização de tabelas que consideram o desvio padrão populacional ou até mesmo um aplicativo de celular/tablet desenvolvido por Paley, conhecido como método multiplicador.

O tratamento é baseado no tamanho da discrepância e dever ser particularizado conforme a etiologia, porém basicamente dismetrias de até 2cm não requerem tratamento ou, caso seja necessário, é recomendado o uso de palmilhas; quando a discrepância esperada é entre 2 a 7cm o tratamento mais utilizado é a epifisiodese, ou seja, no bloqueio das placas fisárias, fazendo com que o membro saudável paralise seu crescimento, objetivando a equalização dos membros na maturidade; entre 5 a 20cm o tratamento preconizado é o alongamento ósseo, podendo ser associado com o encurtamento do membro contralateral, seja por epifisiodese ou encurtamento ósseo; acima de 15cm pode ser considerada a amputação do membro para adaptação de próteses.

Muitas pessoas não sabem que a dismetria de membros inferiores pode ser corrigida, bem como que ela pode acarretar em lesão de outros segmentos anatômicos, como coluna e articulações adjacentes. Portanto é importante procurar o ortopedista pediátrico em caso de suspeita e, no caso de adulto, alguém com especialização em Reconstrução e Alongamento Ósseo.


por Gustavo Werle Ribeiro

Formado em medicina pela PUC-PR (2006-2011), realizou sua residência médica em Ortopedia e Traumatologia no Hospital Universitário Evangélico de Curitiba (2012-2014) e foi aprovado no exame de título como membro efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Realizou superespecialização em Ortopedia Pediátrica e Reconstrução e Alongamento Ósseo no INPAR (2015-2016), sendo membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica e do Comitê ASAMI.