Entrevista|09.abr

Isolamento social: dicas para ficar com as crianças em casa

Formada há 27 anos, a psicóloga Tânia da Silva participou de um bate papo hoje e nos contou como podemos entreter as crianças no período de isolamento social.
Para ajudar os responsáveis durante esse período, a psicóloga levantou alguns pontos importantes que devem ser trabalhados, principalmente com relação a rotina de estudos, confira mais na entrevista abaixo:

 

 

Também, a Psicóloga escreveu um artigo para que as pessoas possam ter um outro olhar durante a quarentena, e você pode acompanhar o artigo completo aqui em baixo :

Numa edícula de 65 m2, a menina Anne Frank, com mais sete pessoas passaram dois anos
escondidos dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Neste pequeno espaço, onde
imperava o silêncio e o medo, Anne escreveu seu famoso diário que seria um dos livros mais
lidos do mundo. Para enfrentar o tempo e a monotonia desta situação os moradores
elaboraram diversas táticas envolvendo todos os oito habitantes do esconderijo, atividades
que seriam seguidas por todos de modo a evitar o stress e as possíveis situações extremas
desta “quarentena” imposta.
Tomando como exemplo a história acima, vivemos situação semelhante, onde famílias
inteiras estão isoladas em casa, vivenciando novas situações de convívio mútuo, conflitos e
dissabores, onde nem sempre é fácil superar.
Os filhos talvez sejam os mais atingidos, em sua característica de impaciência e liberdade,
onde conciliar horários e obrigações parece ser um desafio imenso.
Cabe aos responsáveis criar situações onde este estado de quarentena possa ser superado
com maior tranquilidade, diminuindo assim essa carga sufocante de se sentir cativo,
prisioneiro em seu próprio lar.
Devemos então, a exemplo da família de Anne Frank, desenvolver táticas para que nossos
filhos entendam e vivenciem melhor esse momento de pandemia sem perder suas
responsabilidades.
É preciso construir rotinas flexíveis, porém sem rigidez, estipulando os horários para cada
atividade, considerando a característica de cada um. Os pais devem estar também inseridos
em suas atividades para que os filhos vejam ali como exemplo a ser seguido. As atividades
devem ser pensadas para que não sejam uma carga pesada aos filhos, gerando desconforto e
cansaço. Reservar sempre um tempo para o lazer e atividades que envolvam toda família e
sempre que possível respeitar a individualidade de cada um, pois deve haver um tempo para
estar consigo mesmo.
Ter um olhar para o autocuidado, evitar ficar de pijama o dia inteiro, por exemplo, ou de
forma desleixada, despenteado, sem banho, etc. Os filhos devem entender que o período de
isolamento físico não significa a perda de nossas realidades. Assim, tentar preservar as rotinas,
devendo as refeições serem servidas como sempre foram evitando comidas improvisadas,
lanches, petiscos, etc. Também é importante tentar manter o horário de sono, evitando passar
madrugadas em frente ao celular ou tv.
O contato com familiares e amigos é essencial, através de conversas pelo celular,
mensagens, chamadas de vídeo, etc, desde que o tempo para as mídias sejam também
combinadas (quando os filhos são um pouco maiores) para evitar excessos ou estipuladas
quando ainda crianças.
A manutenção de horários e atividades é uma forma clara de mostrar que não estamos de
férias e sim, em um momento especifico (pandemia), razão pela qual os horários e funções
devem ser respeitados, propiciando e continuando a desenvolver novas conexões cerebrais,
que se dão através da aprendizagem. Nosso cérebro tem capacidade de concentração entre 45
minutos a uma hora. Assim, uma forma de otimizar esse tempo é a técnica pomodoro, um
método italiano de gerenciamento de tempo para os estudos (dividir o tempo de estudo num
intervalo de 25 minutos). Também existem diversos aplicativos bem interessantes que ajudam
no gerenciamento de tarefas, como por exemplo o to-do e o focus.

Enfim, entender que a quarentena é um momento que está sendo vivenciado mundialmente,
momento necessário e único em nossas vidas. Todos sairemos diferentes dessa situação,
esperamos que seja para estarmos mais congruentes consigo mesmo e mais centrados.
Façamos, portanto, de nossas casas o nosso abrigo, onde possa imperar o aprendizado e o
convívio harmônico entre diferentes gerações.

Tania da Silva
Psicóloga CRP 08-05291
Formada há 27 anos com formação em EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento pelos
Movimentos Oculares), bem como em Terapia Sistêmica Familiar-Casal-Individual. Pós
graduada em Neuropsicologia. Frequenetou e frequenta vários cursos, congressos e
Workshops internacionais.


por Gustavo