Colunista|07.jan

Mioengenharia

Nesta semana, vamos nos debruçar sobre uma verdadeira obra de bioengenharia orgânica. Dotados de uma imensa capacidade de converter energia química contida no interior de suas células ou fibras musculares em trabalho mecânico, os aproximadamente 650 músculos do corpo humano agem de forma semelhante a um motor de um carro que, ao realizar a queima do combustível, produz também movimento.

Curiosamente, a origem da palavra músculo deriva do latim musculos, com significado de “camundongo”, uma ideia um tanto quanto ingênua dos romanos antigos, que ao observar o movimento de braços e pernas, imaginaram estruturas semelhantes a pequenos ratinhos caminhando por debaixo de tecidos humanos.

Morfologicamente, os músculos podem ser classificados em lisos ou não estriados, de contração lenta e involuntária, presentes em grande parte de nossas vísceras, perpassando aqueles que apresentam listas ou estrias. Dentre estes últimos, há os que produzem contrações vigorosas e involuntárias como o músculo cardíaco, sem deixar de citar o majoritário estriado esquelético, cujas contrações rápidas dependem totalmente da nossa vontade.

Com composição média de 78% de água, 20% de proteínas, 1% de carboidratos e quantidade mínima de sais minerais e lipídios, as fibras musculares, cujos feixes formam nossos músculos, são verdadeiros biomotores realizando trabalhos de contração e distensão, o que nos garante a sustentação do corpo em associação com o sistema esquelético, postura corporal, força, flexibilidade, movimentação e até mesmo manutenção da temperatura corporal.

Após anos e anos ensinando a meus alunos o mecanismo de contração muscular, permito-me divagar e tecer analogias com algumas particularidades do tecido muscular que me servem de inspiração para algumas atitudes que procurei incorporar ao meu dia-a-dia. Primeiramente, é notório que músculos gostam de realizar trabalho, tendo em vista que, quanto mais o fizerem, mais fortes e ágeis se tornam. Assim também é com uma determinada atividade seja física ou intelectual que realizamos: por mais que seja difícil no começo, a persistência e a resolução logo nos tomarão mais confiantes e desenvoltos na sua concretização.

Em segundo lugar, para as fibras musculares, vale a seguinte máxima: “trabalhando-se em conjunto, produz-se mais força e movimento do que se trabalhando de forma isolada”. Portanto, essas poderosas células nos ensinam que dentro de uma equipe, seja numa empresa ou mesmo numa sala de aula, o trabalho colaborativo, harmônico e cocriativo, gera mais frutos do que o individualismo.

Para finalizar, lembre-se que uma dieta balanceada e atividade física regular como a musculação, por exemplo, contribuem para o bom funcionamento dos nossos músculos, que por sua vez nos proporcionarão melhora na postura corporal, controle da obesidade, tônus muscular, aumento de densidade óssea, diminuição de riscos de diabetes tipo 2, condicionamento cardiorrespiratório e atém mesmo um aumento da nossa autoestima.

Portanto, não perca tempo, vamos malhar!

Imagem destacada: Pixabay


por Cristiane Pawlowski Kuster

Guitarrista da 350ml, mestre em Letras.

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