Entrevista|08.abr

Música: o vírus da esperança e da solidariedade

A música é uma forma de representação do mundo. E como uma prática simbólica, é uma maneira de ver e ler o mundo que carrega as diferenças culturais e as marcas das subjetividades de quem a produz.

Em uma época de isolamento social, de medos, de instabilidades, de inseguranças e dificuldades, a música aproxima, denuncia as diferenças e injustiças, simboliza esperança, propõe caminhos, questiona, contesta, chora, sonha, grita.

A pandemia do novo coronavírus, Covid 19, levou muitos artistas a representarem essa realidade por meio de novas composições. É o caso de Bono, vocalista da banda U2, que se inspirou no isolamento dos italianos para compor “Let you love be known”. A canção faz referência às ruas desertas, à distância física entre as pessoas e ao medo. Mas, enfatiza: “Sing, when you sing there is no distance”, Cante, quando você canta não há distância. “Sing and you’re never alone”. Cante e nunca estará sozinho.

Outro exemplo é a banda americana OneRepublic com seu novo lançamento “Better days”,  que fala do medo e dos dias sombrios , mas expressa a esperança de dias melhores, sem lágrimas.  “I know that they’ll be better days/ Oh, that sunshine bout to come my way May we never ever shed another tear for today”

No Brasil, o rapper MV Bill usa seus versos para denunciar a realidade particular das favelas, tece uma crítica política e reforça o apelo para os cuidados de prevenção do coronavírus.  “Na favela, pra nós, a Covid é diferente / As casas não são grande e geralmente muita gente / Aglomeração inevitável / Alguns lugares ainda não tem água potável / Se cuida aí / Ih, que vai faltar espaço na UTI.”

Nas janelas, nas sacadas dos prédios, nos telhados, nos quartos e salas, artistas do mundo todo fazem da música a representação de um abraço. É a solidariedade, a cumplicidade, o protesto, as lágrimas, dores e esperanças que chegam pelas redes sociais e estreitam a distância entre os sujeitos e unem as vozes que esperam por dias melhores.


por Cristiane Pawlowski Kuster

Guitarrista da 350ml, mestre em Letras.