Colunistas|23.set

Henry Gasparotto Pedroso – O Nicho Perfeito

A foto acima mostra uma pequena porção da exuberância de Galápagos, um arquipélago vulcânico situado no oceano pacífico localizado a aproximadamente 1.000 km da costa de Equador. Um dos destinos mais procurados por estudiosos e amantes da natureza, suas ilhas isoladas abrigam várias espécies de plantas e animais que serviram de inspiração para que o naturalista inglês Charles Robert Darwin (1809-1882) escreve-se sua obra prima “A Origem das Espécies”.

A tese a qual o famoso inglês divide os méritos com o biólogo também britânico Alfred Wallace (1823-1913), foi engendrada após Darwin viajar pelo mundo abordo no navio da marinha britânica H.S. Beagle, por aproximadamente cinco anos, período em que teve a possibilidade de colecionar carcaças, peles e ossos de animais, bem como observar a geologia de diversos pontos do planeta.

A teoria que explica a evolução das espécies e que nas palavras do próprio Darwin, “teve o peso de confessar um assassinato”, uma vez que abolou profundamente os fundamentalistas da época, defende o pressuposto de que, entre os seres viventes, existe uma constante luta pela sobrevivência, sendo favorecidos os organismos que apresentam variações genéticas mais vantajosas, fator que lhes permitem melhor se ajustarem ao ambiente em relação aos demais.

Refletindo sobre a influência da Lei da Seleção Natural em todos os aspectos da vida moderna, pode-se extrair dela um importante ensinamento, que pode ser a pedra de toque para que possamos lograr êxito seja no âmbito pessoal ou profissional: o sucesso não está necessariamente atrelado as relações de poder ou a inteligência apenas, mas sim a capacidade que possuímos em nos adaptar aos mais diversos cenários e situações.

Portanto, buscando inspiração na estratégia darwiniana de luta pela sobrevivência, para nos tornarmos competitivos diante dos desafios que a vida nos impõem, cabe a cada um se utilizar de uma poderosa característica evolutiva que ao longo de milhares de anos, a natureza em nós humanos selecionou: a capacidade de sermos criativos.

Embrenhe-se na selva dos pensamentos, estude o ambiente, identifique novas possibilidades, caminhe por trilhas ainda pouco exploradas, mas que intuitivamente lhe sejam interessantes, domine o que ainda ninguém dominou, estabeleça conexões inéditas, ocupe novos nichos e espaços.

Num mundo repleto de pressões seletivas, mas também de oportunidades, pensar de forma criativa, buscar a perfeição diante de tudo o que nos propusermos a fazer e se adaptar com agilidade as mudanças, pode ser vital na luta pela sobrevivência.

Imagem: Liveaboard


por Cristiane Pawlowski Kuster

Guitarrista da 350ml, mestre em Letras.