Colunista|09.set

Henry Gasparotto Pedroso – O Suicídio Ambiental

O mês de setembro, numa importante ação desencadeada por entidades como o Centro de Valorização da Vida (C.V.V.), o Conselho Federal de Medicina (C.F.M.) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (A.B.P.) vem sendo dedicado, sobre o slogan de “setembro amarelo”, ao combate ao suicídio. Assunto outrora velado e pouco discutido pela sociedade, recentemente se popularizou impulsionado pela série americana 13 Reasons Whay”, lançada em 2017, tornando-se assunto obrigatório nas escolas e nas famílias.

Termo usado pela primeira vez em 1737 pelo botânico francês René Desfontaines, para designar o conceito de suicídio como o assassinato e a morte de si mesmo, o ato intencional que consiste em pôr fim a própria vida, respeitado a dor daqueles que já vivenciaram essa perda através de um parente ou mesmo um conhecido, este tema também pode ser tratado sobre um viés ambiental.

Servindo-me do fato de que o suicídio também pode ser compreendido como uma desgraça ou ruína causada pela ação do próprio indivíduo, seja por falta de discernimento, de previdência ou mesmo por um ato de desatino, peço ao leitor que, ao observar as duas imagens do “Arrroio do Carro Quebrado”, córrego urbano que corta nossa querida Guarapuava, reflita sobre o ato suicida, sobre uma óptica ambiental.

Na imagem da direita, vislumbramos parte do córrego localizada no Parque das Crianças, espaço utilizado para recreação e lazer das famílias guarapuavanas, que frequentemente costumam desfrutar das benesses de um contato mais íntimo com a natureza. Por outro lado, visitando uma outra área de localização urbana onde passa o córrego, acompanhado de alunos do C.E. Cristo Rei e de Biólogos da UNICENTRO que estudam a qualidade ambiental da água deste arroio, nos deparamos com um elemento tão autodestrutivo da vida biológica quando o ato de tirar a própria vida: a poluição doméstica.

Atividade com alunos do Colégio Cristo Rei e Biólogos da Unicentro

O inevitável crescimento populacional nas proximidades dos córregos urbanos que cortam o município, bem como os impactos ambientais ocasionados por essas ocupações, como a redução de mata ciliar, alterações no ciclo hidrológico natural e temperatura com implicações diretas na fauna e flora aquática, além da proliferação de agentes patogênicos, assim como o suicídio, vem acompanhado de um fator que contribui significativamente para o seu alastramento: o silêncio traduzido pelas ainda discretas investidas em ações que venham a conscientizar a população de que preservando o ambiente, estamos preservando a nós mesmos.

 Afinal, estamos no ambiente, mas o ambiente também está em nós!


por Cristiane Pawlowski Kuster

Guitarrista da 350ml, mestre em Letras.

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