Colunistas|02.jul

Pé Torto Congênito

A deformidade conhecida como Pé Torto Congênito consiste em uma série de deformidades congênitas caracterizadas por Cavo, Varo, Equino e Aduto do pé. Pode ser suspeitada já intra útero pela ultrassonografia, sendo facilmente identificada após o nascimento, não necessitando de exames de imagem. Se não tratada pode se tornar uma deformidade rígida e de difícil tratamento mas, felizmente, pode ser facilmente tratada pelo Método de Ponseti, que consiste em trocas seriadas de gesso, na maioria das vezes necessitando de uma pequena cirurgia no final, a tenotomia do Tendão de Aquiles.
A etiologia desta patologia não está totalmente estabelecida, mas é sabido que existe algum grau de relação genética. A incidência é de aproximadamente 1:1000 nascidos vivos, sendo a apresentação bilateral em 50% dos casos e, quando unilateral, predomínio à direita. Os meninos são afetados na proporção de 2:1 em relação ao gênero feminino.
O objetivo do tratamento é tornar o Pé Torto Congênito um pé plantígrado, funcional e indolor. Deve-se lembrar que mesmo um pé corretamente tratado nunca será absolutamente normal, permanecendo de tamanho menor e quase sempre associado a um menor diâmetro da panturrilha.
São necessárias, em média, seis a dez trocas de gesso para que seja obtida a correção completa do pé em 70% dos casos é necessária a complementação cirúrgica, seguida de 3 semanas de imobilização gessada. Após esta fase de tratamento é então iniciada o uso da órtese de Denis Browne, continuamente, pelos próximos três meses e no período noturno até os quatro anos de idade.
Muitos pais perguntam se a porção proximal (que envolve a coxa) é realmente necessária, mas ela é essencial para um tratamento eficaz. A técnica é indicada, além dos casos primários, também para os negligenciados e recorrências. O principal fator de recorrência é o uso inadequado da órtese, ou por tempo menor que o recomendado.
Na falha do tratamento conservador o tratamento cirúrgico é instituído.


por Gustavo Werle Ribeiro

Formado em medicina pela PUC-PR (2006-2011), realizou sua residência médica em Ortopedia e Traumatologia no Hospital Universitário Evangélico de Curitiba (2012-2014) e foi aprovado no exame de título como membro efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Realizou superespecialização em Ortopedia Pediátrica e Reconstrução e Alongamento Ósseo no INPAR (2015-2016), sendo membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica e do Comitê ASAMI.