Colunistas|15.jun

Um dia de cada vez…

E se fosse eu?

Embora a única coisa que saibamos dessa vida é que um dia iremos morrer, a possibilidade da morte sempre é assustadora. Recentemente fui acometida por uma gripe forte (some aí um pouco de rinite e sinusite). Consultei e por orientação médica mesmo sem ter feito o teste do Covid-19, fiquei em isolamento. Foram três dias trancada dentro do meu quarto, evitando contato até com meus filhos e minha família.
Impossível não pensar na possibilidade de um resultado positivo e no que fazer caso acontecesse de piorar e precisar de UTI e talvez não poder se despedir. Quais seriam minhas ações? Quanto tempo teria antes de me arruinar? Alguns podem concluir, quanto drama e pensamento negativo em uma pessoa só! Na verdade, quem me conhece sabe, não sou uma pessoa pessimista. Muito ao contrário, sou otimista demais. Meio Pollyana até, dessas que vê beleza e bondade em tudo, ou quase tudo.
Mas ultimamente, algo em mim fica se perguntando “E se fosse eu”? E todo dia agradeço por não ter sido, ao mesmo tempo que lamento os que se foram, e nem sequer tiveram tempo de despedir-se de quem amam.
Não fomos preparados para lidar com a morte, com as perdas, com o luto, ou mesmo com nossos sentimentos. Ao contrário, muitos de nós, quando manifestava dor, emoção, quando não mandados a engolir o choro, eram vistos como “chorão/chorona”. Como se expressar as emoções fosse significado de fraqueza. E temos agora que lidar com isso. No meu feed, todo dia alguém perdeu alguém que ama. Todo dia alguém tem de aprender a lidar com essa perda. Toda semana perco alguém próximo a mim, conhecido, vizinho, colega de trabalho ou dos tempos de escola. Eu sabia que um dia perderia, mas não achei que aconteceria tão cedo.
Sinto muito, por todos que se foram, por aqueles que ficaram e não puderam se despedir. Sinto pelos que perderam entes queridos, não por COVID, mas por causa dele, não podem ser abraçados nesse momento. Sinto por aqueles que estão exaustos de tanto trabalhar e também ´por aqueles que não têm mais seu trabalho. Sinto muito…
E o resultado do meu teste? Negativo para Covid-19!
Por algum motivo, continuo ficando por aqui. E você também continua! Então, quando pensei que pudesse ser positivo, uma das coisas que gostaria de fazer era escrever enquanto eu pudesse, e será assim… um dia de cada vez, escrito. Se vão ler? Não sei. Eu continuarei escrevendo, afinal, dizem que cada dia da vida é uma página em branco, não é!


por Claudinéia Schinemann

Mestra em Educação. Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Graduação em Pedagogia com habilitação em Orientação Educacional. Magistério. Atua na área educacional há mais de 25 anos. Possui experiência na Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Formação de Docentes e no Ensino Superior. É escritora e contadora de histórias. A infância é sua maior fonte de inspiração, mas também tem projetos para a literatura infanto-juvenil. Tem um canal no Youtube para Contação de Histórias.